Compromisso de Neto é lutar por menos impostos
O deputado ACM Neto (DEM) disse nesta segunda-feira (28), em Salvador, que o governador Jaques Wagner (PT) e seus aliados na Bahia deveriam estar mais preocupados em procurar a presidente Dilma Rousseff (PT) com o objetivo de atrair mais investimentos para o estado, e não para defender a volta da famigerada CPMF. "Acho preocupante quando o governador se junta a outros colegas nordestinos para pressionar a presidente com o objetivo de recriar um imposto que já foi extinto e que era extremamente injusto. Wagner deveria sentar na mesa com a presidente para buscar atrair investimentos para a Bahia, que, no primeiro mandato dele, já perdeu a posição de sexta economia do país e caiu para o sétimo lugar", afirmou Neto.
O democrata citou matéria divulgada nesta segunda pela Agência Estado revelando que o fim da CPMF não afetou o crescimento nos repasses do governo federal para a saúde. De 2003 a 2007, quando o tributo era cobrado, o orçamento do Ministério da Saúde – excluídos gastos com servidores inativos, pagamento da dívida e Fundo de Combate à Pobreza –, cresceu em média 6% ao ano. Já nos três anos seguintes – de 2008 a 2010 –, quando o governo não contava mais com os recursos da CPMF, o crescimento anual foi maior: média de 6,4%.
"Dinheiro para a saúde existe. Sempre mostramos isso. O que falta mesmo é vontade política do governo federal para fazer da saúde uma prioridade", frisou ACM Neto. Ele voltou a dizer que a oposição vai lutar novamente, se isso for necessário, para derrubar a criação de qualquer novo imposto. "Precisamos e reduzir impostos, e não criar novas formas de penalizar a sociedade, que acaba sustentando os desperdícios do governo federal".
Fieb divulga nota contra volta da CPMF
A Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) soltou nota, assinada pelo presidente José de Freitas Mascarenhas, atacando a volta da CPMF, defendida pelo PT e pelo governador Jaques Wagner. Um trecho da nota: "Um país que almeja elevar a sua competitividade no cenário mundial não pode aumentar ainda mais a carga tributária, que já onera em quase 37% a sua economia".
Petistas não se entendem sobre política econômica
O estilo de governar dos petistas Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva pode ser diferente, como já tem sido dito. Há, porém, uma característica idêntica entre os dois que está ficando cada vez mais evidente: a capacidade de, no início do mandato, irritar a ala à esquerda do PT. Olhando com atenção é possível notar também a presença de um personagem comum nas duas histórias: Antonio Palocci. Ministro da Fazenda na partida do governo Lula e chefe da Casa Civil com Dilma, tanto antes como agora ele tem sido apontado como mentor de medidas econômicas que, segundo os críticos, ficariam melhor no ideário neoliberal do que no petismo. As informações são do Estadão.
Em 2003, a esquerda atacou a proposta de reforma da Previdência e as metas de superávit primário, que ficavam acima das estabelecidas no governo anterior, do tucano Fernando Henrique Cardoso, e significavam contenção de gastos. Agora, critica-se a forma como Dilma quer frear a inflação, com mais juros e redução de gastos.
Em artigo postado no site do PT, o consultor Vladimir Pomar, um dos fundadores do partido e coordenador da campanha de Lula, em 1989, diz que as medidas adotadas por Dilma tendem a comprimir o consumo e favorecer a continuidade da miséria. "Superar a miséria significa, em termos bem precisos, elevar o poder de consumo de alguns milhões de brasileiros desprovidos dessa capacidade", diz ele.
Na maior central sindical do País, a CUT, vinculada ao PT, o presidente Artur Henrique também critica a opção do governo: "Sou contra a ideia de que o único instrumento para controlar a inflação é o aumento da taxa de juro, com redução da demanda".
Coro - Os dois engrossam um conjunto de vozes que começou a ganhar evidência na reunião do Diretório Nacional do PT, no dia 10. Na ocasião, tanto o presidente José Eduardo Dutra quanto José Dirceu, um dos líderes da corrente Construindo um Novo Brasil, a mais forte no partido, manifestaram preocupação com as medidas de Dilma. Dirceu, repetindo o que já havia dito em seu blog, também bateu na tecla de que aumentar juro não é a única forma de se combater a inflação e ainda citou casos de países que adotaram saídas diferentes, como Chile, Turquia e Rússia.
Não foram os únicos. Outros integrantes do diretório, com menor projeção política, também manifestaram preocupação, cuidando para que suas declarações não fossem tornadas públicas, nem aparecessem no documento final da reunião.
Markus Sokol, da corrente O Trabalho, situada na ponta extrema da esquerda, distribuiu um documento no qual afirmava, entre outras coisas, que "o povo não votou por arrocho salarial e redução de despesas". O deputado estadual Raul Pont (PT-RS), da corrente Democracia Socialista, também manifestou preocupação. Disse que o governo Lula só acertou o passo quando apostou no crescimento econômico, com o PAC e a nomeação de Guido Mantega para a Fazenda.
Para Pont, a política econômica do início do governo Lula, que parece trilhada por Dilma, foi desenhada por Palocci, hoje na Casa Civil. "Acho que o PT deve chamar o Mantega para pedir explicações", afirma.
Na semana passada, o PCdoB, partido da base aliada do PT, fez um disparo mais direto. Altamiro Borges, integrante do Comitê Central, divulgou um artigo no qual dizia: "As velhas teses ortodoxas voltaram a ganhar força no Palácio, sob o comando do todo poderoso ministro Antonio Palocci".
Contra a CPMF e a favor da redução dos impostos
Quando líder do Democratas na Câmara Federal pela primeira vez, ACM Neto foi um dos maiores defensores do fim da CPMF e também da reforma tributária. “Acredito que pagamos impostos demais. Como deputado, seja quem for o presidente eleito, nós do Democratas não vamos aceitar qualquer proposta que envolva, por exemplo, a volta da CPMF, como prega o PT e partidos aliados, a exemplo do PMDB”, garante Neto. Para Neto, o governo federal precisa reduzir o tamanho da máquina administrativa, cortando na própria carne, e não penalizando a população brasileira para conseguir mais recursos para áreas como saúde através do aumento de impostos. “Hoje, o governo tem milhares e milhares de cargos de confiança nos diversos ministérios e órgãos que só existem para dar emprego a aliados. Isso sem falar no número de ministérios, que chega a quase 40, o que é um exagero. Se cortasse na própria carne, teríamos mais recursos para as áreas essenciais”. O deputado defende a aprovação de uma reforma tributária que reduza impostos e divida as receitas entre União, estados e municípios de forma justa.


